Um estudo coordenado pelo cardiologista Marco Antonio de Mattos, diretor do Instituto Nacional de Cardiologia (INC) comprovou a ligação entre doenças coronarianas e depressão. O experimento, realizado com 135 pacientes que sofreram síndrome isquêmica coronariana aguda, mostrou que 53% deles desenvolveram quadro depressivo. Os resultados apontaram influência de fatores de risco como hipertensão arterial e sedentarismo na potencialização de quadros depressivos. Segundo os pesquisadores, risco de morte entre cardiopatas, com depressão, é sete vezes maior.
Entre os integrantes do grupo, com idade média de 61 anos, 40% eram mulheres, 98 tiveram diagnóstico de infarto agudo do miocárdio e 37, de angina estável.
Dos 72 pacientes que apresentaram quadro depressivo, 42% tinham sintomas moderados ou graves, os restantes apresentavam manifestações leves. Embora a porcentagem de mulheres acompanhadas tenha sido menor, o estudo revela que a incidência da depressão é maior entre o sexo feminino, com 64% de prevalência.
Comentário Dr. Luiz Augusto Garcia:
A repercussão da expressão da insuficiência coronariana como infarto do miocárdio e insuficiência cardíaca no psiquismo dos pacientes há muito é reconhecida pelos sentimentos de impotência, minus valia e incerteza do futuro; levando um percentual significativo de pacientes a quadros depressivos que por sua vez fazem parte do que é conhecido como stress mental, favorecendo: disfunção endotelial, ativação do sistema simpático e aceleração dos mecanismos de aterosclerose no organismo.